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Livro-vídeo celebra 25 anos de Vídeo nas Aldeias
30/11/2011
 
* Depoimentos, fotos e filmes traçam retrato do projeto que aproximou o vídeo de mais de 100 aldeias indígenas brasileiras. O livro já se encontra à venda no catalogo deste site , na loja virtual do Instituto Socioambiental ou no site ou nas lojas da Livraria Cultura por 170,00 reais.

Um livro-vídeo bilíngue, com depoimentos, ensaios críticos e fotográficos e mais de seis horas de filme, celebra os 25 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, que apóia e fomenta a produção de vídeo entre aldeias indígenas no Brasil desde a década de 1980.
A publicação, patrocinada pelo banco Itaú e pela NATURA, através dos mecanismos de incentivo à cultura da Lei Rouanet, e com apoio do programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, e organizada por Ana Carvalho, Ernesto de Carvalho e Vincent Carelli, reconta a história da iniciativa, que já produziu registros de 37 povos, oficinas em 127 aldeias e filmes premiados no Brasil e no exterior.
Criado pelo fotógrafo, cineasta e indigenista Vincent Carelli, diretor de Corumbiara (melhor filme no Festival de Gramado em 2009), o Vídeo nas Aldeias pôs as primeiras câmeras VHS a serviço de uma ideia inovadora: apresentar às aldeias um instrumento acessível de expressão e preservação de memória, apoiando-as na criação de um jeito próprio de lidar com o meio.

Uma câmera na mão e uma cabeça aberta

"O que interessava no vídeo era a possibilidade de mostrar imediatamente o que se filmava e permitir a apropriação da imagem pelos índios", conta Carelli, que vinha de 17 anos de trabalho com índios brasileiros ao criar o projeto. "Não era chegar 'com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, mas uma câmera na mão e uma cabeça aberta para o feedback da aldeia."
O potencial transformador revelado já na primeira experiência, com índios Nambiquara (MT), surpreenderia o indigenista. "Ao cabo de várias performances para ajustar a sua imagem, resolveram realizar a cerimônia de furação de nariz e lábios, prática abandonada há mais de 20 anos", ele conta. "Foi uma experiência catártica, muito além das expectativas, que nos demonstrou o poder da ferramenta e do dispositivo."
Nas décadas seguintes, equipes do Vídeo nas Aldeias realizariam oficinas em mais de uma centena de aldeias brasileiras, voltadas à produção de filmes e à formação de realizadores. Reconhecido em países onde iniciativas envolvendo povos indígenas e meios audiovisuais eram mais comuns, o trabalho amealhou apoio das fundações Guggenheim, McArthur e Rockefeller, além de instituições na Holanda e na Noruega.
A extensiva produção resultante de 25 anos de oficinas – num total de 7 mil horas de vídeo – começou a atingir um circuito maior em 2009, com o lançamento da série de DVDs Cineastas Indígenas. No ano seguinte, três mil escolas brasileiras receberiam uma coletânea de 20 filmes da coleção.

Novas pontes, novo paradigma

Desenvolvida num contexto de lenta reconquista de direitos, territórios e identidade pelos povos indígenas brasileiros, a experiência do Vídeo nas Aldeias se alinha a um modelo indigenista que busca relações interculturais, de aproximação e convivência, com os índios – em oposição às políticas paternalistas adotadas pelo governo nos anos de ditadura.
Os depoimentos, artigos e belas imagens fotográficas reunidas no livro-vídeo comemorativo atestam a relevância do projeto na criação de uma imagem mais fidedigna da realidade contemporânea dos povos indígenas brasileiros.
"Vídeo nas Aldeias faz parte de uma geração de iniciativas que contaram com apoio da cooperação internacional e construíram pontes com muitas etnias e aldeias, para gerar um novo paradigma, mais otimista, sobre o futuro dos 235 povos indígenas no Brasil", diz o antropólogo Beto Ricardo, um dos diretores do Instituto Socioambiental (ISA) e "sócio-fundador" do projeto VNA, que viu nascer na primeira viagem aos Nambiquara.

Vídeo nas Aldeias _ 25 anos
Idealizado como um conjunto de textos, imagens e filmes que se complementam numa leitura rica e fascinante, Vídeo nas Aldeias – 25 anos reflete sobre cinco dos encontros mais significativos promovidos pelo projeto, com os índios Ashaninka (AC), Kuikuro, Xavante (MT), Huni Kui (AC) e Mbya-Guarani (RS).
Em cada segmento, índios e equipes do projeto discutem o trabalho conjunto, recompõem o processo de gestação dos filmes e comentam repercussões e desdobramentos. Mais do que detalhes factuais, os depoimentos revelam o impacto da chegada do vídeo às aldeias: a apropriação do meio incita à retomada de rituais esquecidos, evidencia disputas políticas entre facções diversas, expõe conflitos geracionais; mais do que tudo, possibilita projetar para o mundo uma imagem mais fiel dos realizadores.
"Quando apresentamos um trabalho, as crianças perguntam muito se esses índios existem mesmo. Os livros didáticos nos mostram como a gente era antigamente, ou seja, nesses livros nós não existimos mais. O vídeo vem acabar com essa distorção. Nós existimos, estamos aqui, nossa terra existe e nós nunca vamos ser brancos", diz o cineasta Xavante Caimi Waiassé.

Vídeo: ferramenta e linguagem

A preciosa coleção de filmes que integra o livro, acomodada em dois DVDs, atesta a diversidade de usos imaginados para o vídeo nas oficinas com as aldeias. Algumas encenam mitos; outras usam a ferramenta para promover encontros interculturais. Alguns filmes tratam de territórios e culturas ameaçados; outros servem de mote para a retomada de traços culturais perdidos.
A preocupação do projeto em introduzir os realizadores indígenas às possibilidades expressivas do vídeo também transparece nos filmes, que, não por acaso, foram premiados em festivais que não se limitam ao cinema etnográfico.
"Os monitores de Vídeo nas Aldeias não assumem uma posição ingênua, conforme a qual bastaria colocar uma câmera nas mãos de alguém para que consiga retratar a sua vida; é necessário aprender a usar o equipamento e conhecer a linguagem", afirma o crítico Jean-Claude Bernadet em Vídeo nas aldeias, o documentário e a alteridade, um dos artigos nos quais antropólogos e cineastas analisam filmes do projeto.
Para o ensaísta Henri Arraes Geraveau, os filmes configuram quase um gênero à parte. "Ao assistir, em 1990, ao Espirito da TV, tive a imediata sensação de que Vincent tinha iniciado frutífera travessia documentária, abrindo caminho para uma antropologia da comunicação audiovisual, ao centrar a narrativa do vídeo no encadeamento das reflexões, fabulações e declarações verbais dos índios Waiãpi frente à exibição, num aparelho de televisão instalado na aldeia pela equipe, de sua própria imagem e sobretudo de imagens registradas por terceiros, não índios, sobre outros grupos indígenas."

Sinopses DVD 1

O Espírito da TV (1990)
As emoções e reflexões dos índios Waiãpi (Amapá) ao verem, pela primeira vez, a sua própria imagem e a de outros grupos indígenas num aparelho de televisão.

A arca dos Zo’é (1993)
Os índios Waiãpi, do Amapá, que conheceram os Zo’é através de imagens em vídeo, decidem ir ao encontro destes índios isolados no norte do Pará e documentá-los.

Eu já fui o seu irmão (1993)
Um documentário sobre o intercâmbio cultural entre os Parakatêjê, do Pará, e os Krahô do Tocantins, que, embora falem a mesma língua, nunca haviam se encontrado antes.

Shomôtsi (2001)
Crônica do cotidiano de Shomõtsi, um Ashaninka da fronteira do
Brasil com o Perú. Professor e um dos videastas da aldeia, Wewito retrata o seu tio, turrão e divertido.

MARANGMOTXÍNGMO MÏRANG,
Das crianças Ikpeng para o mundo
(2001)
Quatro crianças Ikpeng (MT) apresentam sua aldeia, respondendo a vídeo-carta de crianças da Sierra Maestra, em Cuba. Com graça e leveza, elas mostram suas famílias, suas brincadeiras, suas festas, seu modo de vida.

Kinja Iakaha, Um dia na aldeia (2003)
Seis índios de diferentes aldeias Waimiri e Atroari, na Amazônia, registram o dia a dia de seus parentes da aldeia Cacau. Estes registros, nos transportam para a intimidade do cotidiano indígena com a sua interação intensa com a natureza.

Sinopses DVD 2

IMBÉ GIKEGÜ, Cheiro de Pequi (2006)
Ligando passado e presente, os realizadores Kuikuro (MT) contam uma história de perigos e prazeres, sexo e traição, em que homens e mulheres, beijaflores e jacarés constroem um mundo comum.

PI’ÕNHITSI, Muheres Xavante sem nome (2009)
Desde 2002, Divino Tserewahú tenta produzir um filme sobre o ritual de iniciação feminino, que já não se pratica em nenhuma outra aldeia Xavante (MT). Mas todas as tentativas foram interrompidas. No filme, jovens e velhos debatem sobre as resistências para a realização da festa.

KENE YUXI, As voltas do Kene (2010)
Ao tentar reverter o abandono das tradições do seu povo, o filho do professor e escritor Joaquim Maná, Zezinho Yube, corre atrás dos conhecimentos dos grafismos tradicionais das mulheres Huni Ku˜ı (Acre), auxiliado por sua mãe.

Bicicletas de Nhanderú (2011)
Uma imersão na espiritualidade presente no cotidiano dos Mbya-
Guarani da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões (RS).

Serviço
Vídeo nas Aldeias – 25 anos
Livro-vídeo de 256 páginas, com 10 filmes, por R$ 167,00, com envio incluído.


 

 
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01/10

 

Cocar na cabeça e câmera na mão

Box revela o talento de índios cineastas.
Revista Galileu

 

15/05

 

"MARTÍRIO" no Acampamento Terra Livre

 Ao longo das duas últimas semanas, a equipe do filme Martírio realizou exibições no Acampamento Terra Livre, o grande encontro nacional do movimento indígena em Brasília, e nas comunidades Guarani-Kaiowá do Mato Grosso do Sul, reencontrando amigos de longa data e distribuindo DVDs do filme nos tekoha onde aconteceram as filmagens.
Ernesto de Carvalho Tatiana Soares de Almeida Vincent Carelli Ana Carvalho Fernando Ancil Olivia Sabino
 

07/04

 

"MARTÍRIO" nos cinemas

 “Um dos filmes definitivos sobre a questão indígena brasileira”, disse o jornal O Estado de S. Paulo sobre Martírio - Filme, que estreia no dia 13 de abril. Assista ao trailer: http://bit.ly/Trailer_Martírio

O filme busca as origens do genocídio dos povos Guarani Kaiowá na região do Mato Grosso do Sul, um conflito de forças desproporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos despossuídos Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio.