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CARTA DE DIAMANTINA
05/08/2013
 
Carta de Diamantina
dos Coletivos de Audiovisual Indígena no Brasil

Diamantina, 25 de Julho de 2013.

Reunidos em Diamantina, durante o 45o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais, no contexto do Encontro de Realizadores Indígenas, nós, representantes de coletivos indígenas de produção audiovisual, organizações de apoio à produção indígena, professores e estudantes universitários, decidimos e propomos encaminhar a seguinte pauta urgente:
Há na sociedade brasileira uma persistente invisibilidade das tradições culturais indígenas, e poucos instrumentos de difusão desta realidade. As imagens veiculadas na grande mídia são reiterativas de preconceitos e informações equivocadas sobre o universo indígena. Tal situação contradiz o que determina a Constituição Federal em relação às populações indígenas e o que a mesma expressa sobre a necessidade de democratização dos meios de comunicação, como nos trechos: 1) o Artigo 231, que assegura às populações indígenas o “reconhecimento de sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições”; 2) os princípios declarados no Artigo 221, segundo os quais “A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão” darão “preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, à “promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação”, e à “regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei”; 3) o Artigo 215, que assegura que o Estado garantirá “a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”, citando especificamente a proteção das “manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras.”
Diante do exposto, reivindicamos perante o Estado brasileiro ações concretas que visem a promoção de políticas específicas na área do audiovisual para as populações indígenas, que contemplem:
- A formação continuada de realizadores indígenas através de oficinas e programas específicos de capacitação;
- Estímulo à produção de conteúdos audiovisuais indígena para o cinema, TV e novas mídias através de editais e prêmios específicos;
- Mecanismos e espaços adequados para a exibição e distribuição da crescente quantidade de trabalhos feitos por indígenas;
- As necessidades específicas das populações indígenas, oferecendo mecanismos desburocratizados e simplificados para a submissão de projetos, prestação de contas e registro de obras finalizadas;
- Produção de informação sobre os acervos audiovisuais portadores da memória indígena (incluindo aqueles relativos à violência perpetrada contra as populações indígenas ao longo do século XX), muitas vezes inacessíveis, de forma a garantir ampla repatriação dessa memória a suas comunidades de origem;
- A criação de espaços específicos para conteúdos indígenas nas diversas televisões públicas sob a gestão da EBC, assim como os canais legislativos (TV Senado, TV Câmara, TV Justiça), canais públicos estaduais, e canais de televisão universitários, e ao TV Escola do MEC;
- A retomada e ampliação de ações bem sucedidas, que promoveram o maior conhecimento mútuo entre indígenas e não indígenas, contribuíram para a minimização de conflitos e preconceitos, e que significaram uma janela de visibilidade para a produção audiovisual indígena, como é o caso do extinto programa A’Uwe da TV Cultura;
- O reconhecimento e a valorização das produções audiovisuais realizadas por indígenas como obras cinematográficas e de arte.
Nossa expectativa é que a Secretaria do Audiovisual coordene ações transversais referentes a essas políticas para o audiovisual indígena entre diversas esferas do governo, tais como as Secretarias e Institutos do Ministério da Cultura (dentre eles, o IPHAN), o MEC, o Ministério do Meio Ambiente, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Ministério da Justiça, a FUNAI e o Museu do Índio.
Todas essas ações devem conduzir à conquista de um espaço mais amplo de visibilidade e à abertura de uma janela para o rico universo da produção audiovisual indígena no Brasil hoje. Por fim, é imprescindível que tais esforços sejam conduzidos com a participação efetiva de cineastas indígenas, dos seus coletivos, das suas associações, e de organizações de apoio à causa indígena.
Solicitamos uma resposta a todas estas nossas reivindicações e pedimos uma audiência junto ao Ministério da Cultura e à Secretaria do Audiovisual.

Atenciosamente,

Patrícia Ferreira - Coletivo de Cinema Mbya-Guarani
Aldo Ferreira - Coletivo de Cinema Mbya-Guarani
Oriel Benites - Aty Guassu Guarani Kaiowa
Takumã Kuikuro - Coletivo de Cinema Kuikuro
Monai Kuikuro – Coletivo de Cinema Kuikuro
Isael Maxakali – Coletivo Maxakali de Cinema
Suely Maxakali – Coletivo Maxakali de Cinema
Elizangela Maxakali – Coletivo Maxakali de Cinema
Cassiano Maxakali – Coletivo Maxakali de Cinema
Tawana Kalapalo – Realizador Indígena Kalapalo
Divino Tserewahú – Realizador Indígena Xavante
Laércio Tseredzadadzuté – Realizador Indígena Xavante
Edgar Nunes Corrêa – Fotógrafo e realizador Xakriabá
Fabiane Duarte - Guarani Kaiowá, Tekohá Guiraroká
Argemir Freitas - Guarani-kaiowá
Saldo Capilé Jorge – Associação Cultural de Realizadores Indígenas ASCURI Guarani-Kaiowá
Valmir Gonçalves Cabreira - Guarani-Kaiowá, Tekohá Guaiviry
Zezinho Yube (José de Lima Kaxinawa) - Assessor de Assuntos Indígenas do Governo do Acre, Conselheiro do Vídeo nas Aldeias
Morzaniel Iramari Yanomami – Realizador Yanomami da Associação Hutukara
Amaitá Waiwai – Cacique Waiwai
César Guimarães - Professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFMG e Coordenador Geral do Festival de Inverno da UFMG.
André Brasil – Coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFMG
Vincent Carelli - Vídeo nas Aldeias
Ana Carvalho – Vídeo nas Aldeias
Ruben Caixeta de Queiroz - Coordenador do Programa Pós-Graduação em Antropologia da UFMG, Filmes de Quintal.
Carolina Canguçu – Associação Filmes de Quintal
Junia Torres – Associação Filmes de Quintal
Pedro Portella Macedo – Presidente da Associação Filmes de Quintal
Laine Milan - roteirista e diretora, diretora do programa A’Uwe na TV Cultura
Idelber Avelar – Tulane University
Marco Altberg - Diretor e produtor de Cinema, TV e novas mídias.
Maurice Capovilla – Cineasta Bona Fide
Luciana de Oliveira - Professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG
Luísa Elvira Belaunde – Professora de Antropologia IFCS / UFRJ
Marina Guimarães Vieira – Professora de Antropologia UFBA
Bernard Belisário, estudante de mestrado em Comunicação Social - UFMG
Cristiane da Silveira Lima – Doutoranda em Comunicação Social UFMG e Coordenadora do Coletivo de Cineastas Indígenas do 45o. Festival de Inverno da UFMG.
Frederico Lobo – Txai Filmes
Ana Maria Gonçalves - Escritora
Ernesto de Carvalho – Estudante de Doutorado em Antropologia - NYU, Vídeo nas Aldeias
Janaína Ferreira – Estudante de Mestrado em Antropologia UFMG
Roberto Romero Ribeiro Junior – Estudante de Mestrado em Antropologia Museu Nacional UFRJ
Ramiro Queiroz – Estudante de Mestrado em Antropologia UFMG
Raquel Amaral – Mestrando em Antropologia UFMG
Ana Estrela – Estudante de Mestrado em Antropologia UFMG
Ana Fiod – Estudante de Mestrado em Antropologia Museu Nacional UFRJ
Julia Barreto Bernstein – Maraberto Filmes
Maria Luísa de Souza Lucas – Estudante de Mestrado em Antropologia Museu Nacional UFRJ
Jean-Sebastien Houle - Mestrando em Cinema, Université de Montreal
Joanna Espinosa – Estudante de Doutorado em Cinema de Paris I e UFF
Brenda Suyanne Barbosa – Estudante de Música , UFSJ
Karina Fuzaro – Estudante de Mestrado em Educação UFU
Lucas Vinícius Chamone Lima – Estudante de Mestrado em Química UFVJM
Sofia Robin Ávila da Silva – Estudante de Letras da UFRGS
Lucas Alves – Estudante de Ciências Sociais UFMG
Nadja Marin - Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da USP
Orlando Senna
Noilton Nunes
Daniel Santiago (DSS Produções LTDA)
Lucia Murat (Taiga Filmes)
Tania Rocha (Rocha Produções)
Marcelo Pedroso
Gabriel Mascaro
Sérgio Bloch
Eduardo Homem (TV Viva)
Henri Arraes Gervaiseau (CTR-ECA-USP)
Luiz Carlos Lacerda
Manfredo Caldas
Rosember Cariry (Cariri Filmes)
Tetê Moraes
Ana Maria Magalhães
Jorge Duran
José Carone Júnior
Rose La Creta
André Klotzel
Lucila Meirelles
Valentina Homem
Luiza Homem
Beth Formaggini
Lazaro Ramos
Luciana Burlamaqui
Wolney Oliveira
Marcos Palmeira
Aurélio Michiles
Nicole Algranti
Carlos Fausto
Amaranta Cesar
Maurice Tomioka Nilsson
 
 
 
 

06/06

 

Coleção "Um dia na aldeia"

A Cosac Naify lança, em parceria com o Vídeo nas Aldeias e patrocínio da Petrobrás, através do programa Petrobras Cultural, a coleção Um Dia na Aldeia, que traz um olhar autêntico e contemporâneo sobre diferentes povos indígenas no Brasil ao possibilitar que eles mesmos contem suas histórias e mostrem suas imagens através dos dvds que acompanham cada livro.
Assista aos filmes na nossa página no youtube.
A proposta ao desmistificar algumas imagens preconcebidas que temos dos povos indígenas e mostrar às crianças um pouquinho da vida de alguns desses povos. A cada título, o leitor conhece um pouco mais dos costumes atuais e antigos de um povo indígena Brasil afora: Wajãpipi (Amapa e Para¡), Ikpeng (Mato Grosso) e Panara (Mato Grosso e Para). Entender como vivem, onde moram, o que comem, que língua falam, do que brincam, ou ainda quais são suas histórias.
 

01/06

 

Aos parceiros do filme

Diante da urgência do dia-a-dia de denúncias e da necessidade de produzir um documentário em profundidade na região Kaiowá, optamos por publicar trechos do filme em pequenas matérias para informar a rede de solidariedade aos Guarani e pressionar o governo a agir. Começamos pelo contundente depoimento do líder Guarani Elpídio Pires à Comissão Nacional da Verdade, sob o título de Genocídio Brasileiro,
Recentemente publicamos imagens chocantes filmadas por um índio no acampamento de Pyelito Kue: agentes de segurança das fazendas Cambará e Cachoeira, no município de Iguatemi (MS), sitiaram e atiraram nos índios para forçá-los a abandonar o local
Este acontecimento confirmou nossa hipótese. Depois da publicação do flagrante dos pistoleiros atacando o acampamento de Pyelito Kue, imagens que circularam o mundo afora através da Survival International, os freqüentes ataques à área retomada cessaram. Todas as imagens, junto com outros flagrantes colhidos, foram incorporadas a uma ação do Ministério Público do Mato Grosso do Sul em Dourados que acompanha de perto o cenário de conflito.
O trabalho segue em ritmo intenso. Assim que parte da edição estiver concluída e o roteiro de montagem definido, faremos uma última viagem à região para produzir testemunhos específicos. Esperamos ter o filme pronto até o final deste ano e ainda queremos ter implantado mais câmeras em áreas de risco, para que os próprios índios possam retratar o difícil dia-a-dia das retomadas, espaços de esperança nesta luta pela reconquista de suas áreas.


 

14/01

 

FINANCIAMENTO COLETIVO DE "MARTÍRIO"

O financiamento coletivo para finalização do filme "Martírio" e capacitação de cineastas Guarani Kaiowa acabou dia 13 de janeiro e foi um sucesso: o projeto alcançou 107% de seu financiamento, 19.905 pessoas "curtiram" a nossa página no Catarse e 990 pessoas contribuíram com recursos. Agradecemos a todos por seu empenho e colaboração.

O valor que ultrapassou a demanda será repassado para despesas de deslocamentos e alimentação da Assembléia Aty Guasu dos Guarani Kaiowá. Nos próximos meses estaremos informando nossos colaboradores sobre o andamentos das últimas filmagens e do processo de edição.