VIRGÍNIA VALADÃO (13/08/52 - 02/06/98)


Virginia Valadão trabalhou no Vídeo nas Aldeias desde sua criação em 1986. Ela dirigiu cinco filmes, entre os quais Morayngava e Yãkwá, o banquete dos espíritos.

Virgínia Valadão nasceu em 13 de agosto de 1952, em São Paulo, e faleceu em 2 de junho de 1998. Primeira filha de um casal de funcionários públicos, católicos, de classe média, ela formou-se em Ciências Sociais na Unicamp (1977), onde cursou pós-graduação em Antropologia (1977-1979).

Junto com um grupo de jovens antropólogos e indigenistas, fundou, em 1979, o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), ONG que marcou de maneira positiva e inovadora o cenário da etnologia indígena e, particularmente, do indigenismo brasileiro. Empreendeu nessa ONG, da qual foi diretora, quase 20 anos de atividades relacionadas aos povos indígenas e seus direitos. Conviveu e trabalhou com os grupos indígenas Xavante, Urubu Kaapor, Nhambiquara, Tembé, Tenetehara, Guarani, Tenharim, Enawenê-Nawê, Xokleng, e os isolados do Igarapé Omerê. Escreveu vários relatórios, pareceres, laudos e perícias, a maior parte não publicados, a partir do trabalho de campo junto a esses povos.

Desenvolveu trabalhos sob vários temas, como linguagem corporal, migração e chefia, liderança feminina, ritual, alternativas de desenvolvimento sustentável e territorialidade, objetivando o reconhecimento das terras indígenas. Foi consultora do Banco Mundial na formulação do Projeto de Demarcação das Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL, 1992) e também a antropóloga responsável pelo processo de tombamento da Serra do Mar e pela preservação das vilas caiçaras de São Paulo (1984-1986).

Dentro do Projeto Vídeo nas Aldeias, produziu 5 vídeos: Wai’a: o segredo dos homens (1988); Boca livre no Sarare (1992), em co-autoria com seu marido Vincent Carelli e com Maurizio Longobardi; Yãkwa: o Banquete dos Espíritos (1995); Morayngava, o desenho das coisas (1997), em co-autoria com Regina Müller; Demarcar do nosso jeito: experiências participativas do PPTAL (1998).

Virginia passava grande parte do ano viajando de aldeia em aldeia. Foi uma mulher de ação que se envolveu profundamente com as populações com as quais teve contato, pensando os índios como agentes de seu próprio destino e guardiões de sua própria memória. Não hesitou em enfrentar poderosos latifundiários em defesa dos grupos indígenas e de seu direito a terra; a batalha por subvenção de projetos voltados para a melhoria de vida desses grupos foi uma constante ao longo de toda a sua trajetória marcada pela coragem, bom humor e generosidade.

Seu vídeo mais conhecido é Yãkwa: o Banquete dos Espíritos que trata do ritual Yãkwa, realizado pelos grupo indígena Enawenê Nawê, que todo ano, durante sete meses, oferecem comida aos espíritos Yakairiti, dançam e cantam revivenciando alguns de seus mitos.       

Virginia Valadão foi enterrada com colares de tucum, tiririca e uma gravata xavante colocada pelos índios. Entre os Kraho foi realizado um ritual de choro-reza de saudade e em visita aos Xavante pode se encontrar uma indiazinha chamada Virginia em sua homenagem.
 

Boca livre no Sararé

1992 / 27min. Nambiquara
Diretor

MORAYNGAVA

1997 / 16min. Asurini
Diretor, Fotografia

Wai’á, O segredo dos homens

1988 / 15min. Xavante
Diretor

YÃKWÁ, O banquete dos espíritos

1995 / 54min. Enawenê-Nawê
Diretor